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AS ARTES
MARCIAIS - Uma história complexa (parte 4)
Por Mestre Paulo
Albuquerque
FRANÇA Os franceses criaram a “briga de rua” com estilo: o Savate. O
nome vem de um tipo de bota que se utilizava no passado. Traz grandes chutes
elegantes, aliados a técnicas com bengala, bem útil para a rua. Há também a forma
esportiva, conhecida como “Boxe Françáise”. O Boxe francês, de certa forma,
relembra o Muay Thai da Tailândia, mas com chutes mais longos. Além disso, os
lutadores utilizam uma malha colante que só um francês conseguiria usar.
O grande Karateka Dominique Valera se irritou com as regras de Karatê vigentes
nos anos 70, do século 20, pois ele perdeu um campeonato por ser mais realista
em um confronto. Ele mostrou que as regras foram, de certa forma, erradas e
assim criou o “full contact Karatê” ou Karatê de Contato Total, no qual
utilizavam luvas como boxe.
Foi um grande passo para as artes marciais notarem que as competições não têm
nenhuma relação com a realidade.
ESTADOS UNIDOS
Os Estados Unidos criaram o “Cross Training”, ou treinamento cruzado, que é
simplesmente treinar em várias artes diferentes. Isso começou, provavelmente
com Bruce Lee que, por ter a mãe européia e pai chinês, enxergava a idéia da
mistura com naturalidade.
Graças a mente aberta de Lee, muita coisa mudou no mundo das artes marciais. Os
lutadores passaram a treinar diversas artes ao mesmo tempo e utilizar pesos no
treinamento, o que era impensável antes.
Além disso, os americanos divulgaram as artes marciais por meio do seu cinema,
mesmo que de maneira fantasiosa. Foram criados heróis como Bruce Lee, Chuck
Norris, Jean Claude Van damme, Steven Seagall.
O Hawaiano Ed Parker desenvolveu a sua própria forma de combate em pé: O Karatê
Kempo. É uma espécie de resumo do Kung Fu, alterado pela mente científica e
analítica de Ed Parker. Ele ficou conhecido por ser amigo de muitas estrelas de
Hollywood e aparecer em filmes como os da série Pantera Cor-de-rosa. Os EUA
divulgaram bastante o Boxe, conseguindo transformar atletas lutadores em
grandes milionários, com apostas gordas por trás.
Devemos também aos americanos a popularização mundial do Vale-tudo, e uma
imensa bibliografia e videografia –talvez a maior do mundo– em relação a artes
marciais.
INGLATERRA
A Inglaterra, devemos duas coisas importantíssimas:
A criação do Boxe (hoje chamado de Boxe inglês), e a criação do Defendo, a
primeira arte de Combate Militar.
Uma arte de Combate Militar se define pela praticidade, objetividade, e por
utilizar técnicas de diversas artes marciais. Isso foi criado por W. E.
Fairbarns quando estava trabalhando como policial em Hong Kong, na época
colônia Inglesa. Ele tinha que aprender a forma que os chineses lutavam (Kung
Fu) para poder enfrentar a tríade (máfia chinesa). Logo, ele estava lecionando
sua invenção para diversas outras pessoas que criaram outras artes marciais, ou
sistemas de segurança como Rex Applegate (que criou todo o sistema da C.I.A).
ISRAEL Israel tem diversas artes marciais –Krav magá, Hisardut etc.
Todas utilizadas pelas forças armadas de Israel. De certa forma, todas são
formas de Combate Militar. Mas os Israelenses trouxeram outro elemento
importante para as artes marciais: o uso do marketing. O que foi uma grande
contribuição, de certa forma.
BRASIL
O Brasil atualmente é a pátria das artes marciais – ao lado dos EUA (que tem a
maior variedade). Em revistas americanas, pode-se ver a quantidade de fitas de
diversos lutadores sendo vendidos, de vale tudo até forças armadas.
A prova está na nossa participação em campeonatos de Karatê de Contato
(campeões mundiais), em Hap Ki Dô (campeões mundiais), Judô (Campeões
Olímpicos), Jiu-Jitsu (Campeões mundiais), Jiu-Jitsu Europeus (campeões
mundiais) e em vale-tudo. Temos a hegemonia dos melhores lutadores.
Isso tudo graças a grande criatividade, curiosidade. Nossa raça é resistente e
multi-culturalmente desenvolvida. Podemos ter os melhores lutadores, e forjar
as grandes idéias. O Gracie Jiu-Jitsu foi, por exemplo, uma melhoria imensa em
relação ao Jiu-Jitsu original, criado no Japão. É pouco provável encontrar algum
lutador de JJ Japonês que consiga derrotar um lutador brasileiro.
O Vale-tudo é uma criação moderna da família Gracie, mas que remete a
confrontos do japão feudal. A maioria esmagadora dos lutadores lá é brasileira,
e quase sempre vencedores.
A Capoeira foi uma criação dos escravos, que conseguiu driblar até o fato deles
estarem acorrentados. É por isso que a maioria dos movimentos é com a perna. E
é a única arte marcial do mundo com música própria e até instrumento musical
próprio! Uma prova não apenas da criatividade do nosso povo, mas também dos
seus traços culturais e da sua musicalidade.
* * *
Além disso tudo, há o Kombato, criado por um grupo de especialistas entre os
quais eu me incluo. É uma arte moderna e desenvolvida para lidar com os problemas
atuais e a violência típica dos grandes centros urbanos. Mas eu me arriscaria a
ser cabotino se falasse das virtudes da arte em cuja criação me envolvi. Veja
com seus próprios olhos e avalie, fazendo-nos uma visita, seja física, indo a
uma das academias nas quais o Kombato é ensinado, ou virtual, conhecendo o
nosso sítio.
Qualquer dúvida ou curiosidade, envie um email para: mestre@kombato.com