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Por Paulo Albuquerque
Muitos praticantes de artes marciais novatos ou fantasiosos tendem a acreditar no poder das faixas coloridas. Mas as faixas não são, como a maioria das pessoas pensam, uma medida comum para os praticantes.
A primeira arte marcial a usar as faixas coloridas foi o Judô. No Japão, os praticantes de judô se separavam em faixas-brancas (alunos) e faixas-pretas (professores). Quando um professor achava que seu aluno estava pronto para ensinar, fazia um exame e o faixa-branca se tornava um faixa-preta.
No Japão, as Artes Marciais fazem parte da cultura popular como o futebol faz parte da nossa. Lá as pessoas as praticam apenas pelo prazer ou desafio que lhe proporcionam, e só. A meta não é ficar correndo atrás de subir de graduações.
No entanto, o ocidental pensa diferente. Um dos grandes mestres de Judô levou a técnica suave para a Europa, imaginando que os Europeus, altos e fortes iriam se tornar grandes lutadores. Mas a mentalidade do ocidental é diferente, e em pouco tempo, os praticantes estavam desanimados. O Mestre então, como se estivesse lidando com crianças criou o sistema de faixas-coloridas, usando as cores das tocas de natação. As faixas coloridas não são, portanto, nada muito antigo - este conceito foi desenvolvido este século, e para os ocidentais sem estimulo.
Dentro de uma mesma arte marcial um faixa-amarela não é igual a um faixa-amarela, um faixa-preta não é igual a um faixa-preta. E muitas pessoas que nunca fizeram uma arte marcial pode vencer um praticante - ainda que isso seja mais raro. Não acreditem no mito das faixas.
Eu já vi um faixa-branca quebrar um faixa-preta e soube de um mendigo que fez um faixa-preta desistir.
Isso é ruim de ouvir, mas é a mais pura verdade.
As faixas são na verdade uma medida para nos ajudar a termos metas mais curtas e realistas para nós mesmos - não se pode comprar dois praticantes diferentes, independente das faixas. Cada pessoa é diferente da outra - assim como cada praticante é diferente do outro.
Nunca tente se comparar a outro praticante da mesma faixa que você: isso é ilusório.
Paulo Albuquerque