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Por Paulo Albuquerque
Hoje em dia existem diversos "cursos" de defesa-pessoal. Mestres de diversos lugares do mundo vêm aqui, dão cursos caríssimos e voltam para seus paises de origem ou em alguns casos resolvem tentar reinar por aqui com seu conhecimento.
Boa parte destes cursos enfoca apenas a demonstração de técnicas. A minha experiência pessoal de 23 anos de Artes Marciais me mostra que isso é apenas um engodo. Uma fantasia que pode deixar o praticante em uma situação ainda mais arriscada do que se nunca houvesse entrado em uma academia.
Não consigo imaginar alguém que fez um curso de tênis, que aprende todos os movimentos de "saque" , "backhand", possa, sem ter jogado uma única vez, se considerar um bom jogador. Mas a imaginação das pessoas é pródiga em acreditar nos Mestres - estes que muitas vezes também nunca usaram de suas técnicas. Uma faixa-preta na cintura não salva sua pele - só a sua experiência e prática podem lhe salvar.
Se você treina artes marciais, tenha o cuidado de desenvolver as suas técnicas praticando o combate. Combate em pé, combate armado, combate desarmado contra oponentes armados, combate de chão, combate contra 2 ou mais oponentes, são todos componentes importantes da Defesa-pessoal. Ficar apenas treinando técnicas "marcadas", ou treinando "katas", não desenvolvem o reflexo necessário para salvarem a sua vida em caso de risco.
Há grupos de praticantes de Artes Marciais que possuem até os professores que nunca fizeram combate. E quando fizeram - eu estava lá para ver - pareciam os maiores leigos. Ninguém sabia defender nada, fazer nada - uma decepção para todos, inclusive para os próprios professores, que haviam investido anos de sua vida nisso.
Não se pode aprender a cozinhar só conhecendo os ingredientes, tem que se cozinhar.
Não se pode aprender a escrever fazendo ditados apenas; tem que haver redação.
Não se pode aprender a ser médico somente lendo livros.
E as artes marciais não são diferentes.
Treinar Combate não significa chegar em casa arrebentado todos os dias. Os combates devem ser feito em um ambiente seguro, com praticantes do seu nível, que podem evitar qualquer tipo de contusão. Algumas vezes, para maior intensidade dos golpes, pode-se praticar combate em pé com protetores de cabeça (de preferência com grade), de forma que todos cheguem íntegros no fim.
Não se aprende a nadar "nadando em seco" - cuidado com a falsa confiança que algumas técnicas de defesa-pessoal e alguns mestres podem lhe passar - isso pode custar mais do que apenas alguns arranhões, mas a sua vida ou a de seus amigos.
PAULO ALBUQUERQUE é Um dos fundadores do Kombato, Mestre de Arnis de Mano, Professor de Contato Total, Instrutor de Krav-Magá, Faixa-preta de Karatê, e tem experiência em diversas outras artes.